Voluntários criam conexões e buscam meios de melhorar a vivência escolar de alunos da rede pública de ensino

O programa da Trilha Empreendedora proporcionou grandes aprendizados para alunos e voluntários

O Colégio Estadual Pedro Alvares Cabral, em Copacabana, recebeu o programa Gestão de Projetos: habilidades para a vida, da Trilha Empreendedora, no último dia 25 de setembro. Todos os turnos da escola – manhã, tarde e noite – participaram da ação que impactou 303 alunos, de 15 turmas do Ensino Médio.

A Trilha Empreendedora é um projeto da Junior Achievement Rio de Janeiro, que propõe a aplicação de uma sequência de programas que contribuem para a capacitação profissional dos jovens por meio de atividades interativas e conceitos teóricos de diferentes temas, em paralelo ao currículo escolar das turmas de 1º, 2º e 3º anos. O Gestão de Projetos: habilidades para a vida é uma ação pontual da Trilha que visa ensinar a compreender, planejar, realizar, monitorar e avaliar um projeto próprio.

Ao longo do dia, os participantes aprenderam sobre as etapas de produção de um projeto – como planejamento, execução e finalização – e o que devem fazer em cada uma delas. Para compartilhar o conteúdo teórico de maneira mais atraente, os voluntários consideraram também as experiências dos alunos com a realização de projetos pessoais e as usaram para exemplificar e agregar conceito teórico.

Durante essa troca de informações, os voluntários se surpreenderam com as histórias de alguns estudantes, como foi o caso da Elis Marques, que trabalha na área de Supply Chain Management, na Subsea 7 – empresa que entrega projetos e serviços offshore para a indústria de energia, óleo e gás. Elis recebeu a indagação de uma integrante da turma sobre o desejo de criar um projeto contra suicídio e depressão, justamente por enfrentar esse último problema. Durante a atividade, a aluna não conseguiu desenvolver sua ideia. A questão deveria ser apresentada para a turma inteira, mas o tema ainda a incomoda muito. Elis, no entanto, não economizou palavras para incentivá-la a desenvolver o projeto em um momento mais propício, já que agora ela conhece todos os caminhos para elaborar um bom projeto.

Em outra turma, o assunto depressão também esteve presente durante a atividade que tem o objetivo de incentivar o desenvolvimento de um projeto que torne o ambiente escolar melhor. A turma do terceiro ano do Ensino Médio teve como proposta criar um grupo de apoio para alunos que passam por problemas psicológicos, visando melhorar a saúde mental e tornar o universo escolar menos desgastante.

A temática inclusão social também fez parte da ação, que contou com a participação de um aluno autista do segundo ano do ensino médio. Os voluntários articularam muito bem a questão e deram um verdadeiro show de inclusão. “Você tem que dar espaço para que haja a participação da pessoa que é especial, mas também é preciso fazer com que essa participação faça sentido para os demais alunos. Todos devem se sentir integrados no assunto”, destacou Tuysa Moreira, analista de planejamento comercial no IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás).

A função de um voluntário na aplicação de um programa da Junior Achievement requer cuidados que vão além de simplesmente entrar em sala de aula para falar sobre assuntos que dominam. É preciso criar uma conexão com os alunos, se envolver com aquela realidade e contribuir não só com o conteúdo teórico programado, mas deixar experiências e ensinamentos que possam transformar as vidas desses jovens.

“A gente vai com uma cabeça pensando que é só passar os ensinamentos que estão nos livros, mas é muito mais do que isso. Os alunos vão se soltando, contando seus medos e suas fraquezas para pessoas que chegaram ali no início da tarde e eles não conheciam. É uma experiência difícil de explicar”, disse Mariana Marzôa, analista de eventos no IBP, sobre a experiência de participar do programa como voluntária.

Priscila O’Donnell, analista de trade compliance na BHGE, explicou que a ação despertou o desejo de realizar um projeto, em seu trabalho, para dar continuidade a essa conexão com os jovens que conheceu durante a aplicação do programa. “Quando entrei em sala eu não sabia o que me esperava, mas foi um sucesso absoluto. Fiquei me perguntando como poderia agregar ainda mais na vida desses jovens. Decidi convidá-los para fazer uma visita guiada aqui na empresa, com uma palestra sobre ‘como se portar numa entrevista de emprego’. Seria ótimo poder incluir esses adolescentes aqui na BHGE quando tiver alguma oportunidade de jovem aprendiz”, concluiu.

Sobre a Junior Achievement:

A Junior Achievement é a maior e mais antiga organização de educação prática em negócios, economia e empreendedorismo jovem do mundo. Fundada em 1919, nos EUA, tem como objetivo despertar o espírito empreendedor nos jovens em idade escolar. Está presente em 120 países e em todos os estados do Brasil. Com apoio de uma rede de voluntários, a sede carioca já impactou mais de 300 mil estudantes nos últimos anos.

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